Workaholic assumida e em tratamento!

Ontem deitei pensando em escrever esse texto, mas ponderei: “É domingo, 21h30, trabalhei até agora, devo descansar!”. “Devo” e não “preciso”.

Pois é, ainda vejo isso como um policiamento, algo que deva ser feito e não precise, talvez porque acredite que meu limite é extenso e elástico, mas a verdade é que ele não é infinito, né?! Sim, tento me conscientizar disso, mas aquele que é viciado em trabalho, também sente prazer como aqueles que têm outros vícios. Eu amo trabalhar, amo ter ideias, amo ter um dia produtivo. Penso até que minha profissão e personalidade contribuam muito para esse estado de vício: Relações Públicas com ideias fervilhando o tempo todo, tudo é estímulo para a criatividade e sempre fui muito dedicada ao que faço, principalmente, aos estudos e trabalho. Tenho uma queda também por me sentir boa no que me proponho a fazer, então, quero sempre me destacar para mim mesma. Gosto da sensação de não ser comum. Só que isso tem um preço, meus amigos. Vocês devem imaginar ou saber!

Sim, já abri mão de trabalhos porque não achava recompensador não participar de momentos importantes da minha família e amigos, no entanto, já deixei de lado a minha qualidade de vida muitas vezes em prol do trabalho. É uma balança que sempre pende e o equilíbrio é muito raro. Qual o ponto do equilíbrio? Alguém aí tem uma fórmula?

Hoje acordei com uma daquelas lembranças do Facebook, quando eu postei há exatos 6 anos: “Vira e mexe, uma frase volta insistentemente à minha cabeça: ‘Meu nome é trabalho’. Nem lembro quem colocou isso na descrição do seu Instagram, mas a frase ficou. Vi mais uma que me chamou a atenção: ‘Conectado 24 horas’. Acho que o mundo inteiro imagina o quanto eu trabalho e sou dedicada, mas isso faz parte de algo muito maior. Traz alegria, satisfação, prazer, mas faz parte, não é o todo! Não é “só” isso. Se me fizerem aquela clássica pergunta de “daqui a 5 anos, como você quer que esteja sua vida, o que você quer, etc?”. Daqui a 5, 10, 100 anos, só tenho uma resposta: ser feliz, continuar sendo. O restante que venha junto! Esse é o meu ‘algo muito maior’. Cada um tem o seu!!!”.

Depois desses 6 anos, digo que estou em tratamento através do autocuidado e do autoamor, mas, como (quase) todo viciado, tenho recaídas e me sinto agora tendo uma delas. Estou no olho do furacão e subir é difícil, mas pensar sobre isso já traz passos dados. Não é sobre romantizar o trabalho, mas há muito amor nele, há também uma consciência de que os demais não devem seguir esse meu exemplo de dedicação extrema e de que eu mesma rumo à mudança desse meu padrão. E, sim, o trabalho é uma parte do todo. Uma parte!

Workaholic assumida e em tratamento, me sinto feliz e, assim, vou cumprindo a minha meta maior!

 

Andrea Marnine
Relações Públicas com MBA em Gestão de Pessoas
MBA em Marketing Estratégico em curso
Idealizadora da Marcô Coletivo de Comunicação

 

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